Eu sou fã da Madonna desde criançinha. Bom, pelo menos desde os meus 11, 12 anos. Na época do LP, tinha todos - desde o primeiro até “Like a Prayer”. Agora tenho toda a discografia em MP3. Então, ir ao Show da Madonna no Maracanã no dia 14 era a minha programação desde o momento em que anunciaram que a Madonna vinha ao Brasil :).
Eu também fui no primeiro show dela aqui, em 1993. Mas fiquei tãooo frustrada.. Não por que o Show foi ruim, mas por que acabei ficando lááá atrás na arquibancada, no cantinho, no pior lugar que se poderia ficar. Vi só uma Madonna de 0,5 cm e o som chegava atrasado. Fiquei tão frustrada que praticamente apaguei as lembranças daquele show. Nem me lembro direito por que acabei num lugar tão ruim - minha irmã me lembrou. O ônibus que saiu da Ilha pra levar a gente ao Maraca atrasou…
Desta vez, eu não quis correr riscos. Mas mesmo assim, no começo não dei muita sorte. Com aquela confusão que foi a venda dos ingressos no início, minha irmã só conseguiu comprar ingresso de arquibancada. Mas minha sorte virou quando ela conseguiu trocar os ingressos de arquibancada por duas cadeiras especiais com uma amiga! Yeah! Cadeira especial é o que há para assistir show no Maracanã. Não daria pra ver a Madonna de tão perto como na área VIP, mas também eu gastaria 50% a menos.
Este “upgrade” me rendeu mais 2,5 cm de Madonna em relação à 1993. Dava pra ver uma Madonna de 3cm! ‘Tá bom, vocês devem me achar louca de ficar tão feliz com isso. Mas eu já não falei o quanto gosto da Madonna?
Anyway, o Show valeu muito a pena. Dinheiro bem gasto. O show foi muito bom e sem maiores confusões, apesar da falta de informação sobre os portões na entrada. A chuva molhou, mas não esfriou o ânimo de ninguém, nem da Madonna.
Meus comentários sobre o Show:
- A Madonna continua em forma, com aquele corpão nem dá pra acreditar que ela tem 50 anos.. Ou dá, quando você percebe que os telões são os grandes astros do show e que dão à ela mais tempo para trocar de figurino ou até para sair de cena para descansar um pouco. Mas nada que prejudique o Show, na verdade, parece tudo calculado exatamente para que o Show seja vibrante, sem que a Madonna fique exaurida. Afina de contas, 50 anos são 50 anos né gente? O tempo não perdoa ninguém não.
- Madonna dança Vogue. Continua dançando pra caramba!
- Borderline em versão Rock trash ficou muiiiito legal. Foi a música mais antiga que ela cantou. Borderline é do primeiro disco de Madonna (Lucky Star).
- Em “She´s not me”, Madonna dá um escorregão e cai de bunda. Mas sendo uma mulher “show-bizz”, ela sabe que pior que cair é agir como quem caiu. Então mantém a pose, se ajeita e continua o espetáculo. Garanto que muita gente nem percebeu que ela escorregou!
- O telão “cilindro” usado em “Devil” com imagens de água e chuva é lindo!
- Pra mim o único ponto baixo do Show foi “Spanish Lesson”, mais por causa da música do que da performance. Para nós, que falamos português (e entendemos espanhol), não da pra engolir que “siempre means I won´t forget it”. :-p
- Em compensação curti a nova versão de “La Isla Bonita”. Uma versão que mistura cultura cigana, espanhola e judaica. Madonna dançou até hora com os bailarinos no palco
- Madonna mostra por que é quem é. Não, não foi cantando ou dançando. Mas enxugando o palco com as próprias mãos, usando uma tolha branca (dizem que ela so usa toalha branca). Se for para o trabalho sair bom, a mulher vai lá e faz o que for preciso. Inclusive enxugar o palco. Coisa de gente competente.
- “You must love” para mim, foi um dos momentos mais legais do show. Em boa parte, por que eu sempre gostei muito dessa música. Mas também por que, Madonna conseguiu criar um momento “quase íntimo” em seu mega-show (algo praticamente impensável pra um show para 70.000 pessoas!). A música apresentada com voz e violão (banquinho e muitos guarda-chuvas sobre a cantora :)), mostrava cenas de um funeral no telão. Para mim pareceu Madonna, mostrando seu lado mais humano e confessando para seu público seu medo da mortalidade, do que pode acontecer agora que ela já está mais velha, conseguirá ela continuar se reinventando? “Why are you at my side? How can I be any use to you now…”, “Deep in my heart I´m feeling, things that I´m longing to say, scared to confess what I´m feeling…”. Cantar “You must love me” poderia soar pedante para muitos artistas, mas Madonna transformou a apresentação da música num sincero diálogo. No final ganhou corinho de “We love you” da galera da área VIP.
- “Like a prayer” ENLOUQUECEU o público no Maracanã. Juro que não me lembro de já ter visto algo como aquilo. Foram as 70.000 pessoas pulando e cantando em coro com a Madonna do começo ao fim. Nenhuma outra música levantou tanto a galera como essa. Foi o momento pop-gospel-madonna-é-foda da noite
(o videozinho tá ruim pacas mas dá pra ter uma idéia da loucura que foi)
- “Fuck this rain, it has to go!” canta Madonna no improviso. Pede desculpas ao público e diz que sente muito que todos estejam molhados. Pergunta se a gente se importa :). Todo mundo grita que “nooooo” é claro.
- Na hora do pedido da música, um fã mané pede “Everybody”, fala sério! Mas isso todo mundo já leu no Globo Online. O que todo mundo ainda não sabe é que se fosse eu, teria pedido “Cherish” :p. E era bem capaz de ter levado um fora da Madonna tb :p.
- Anyway, “Express your self” realmente é uma das melhores músicas dela pra se cantar a capela. E todo mundo cantou junto. Muito legal.
- Madonna termina o show com “Give it 2 me”. Duas bandeiras do Brasil foram jogadas no palco. Nessa hora, gostaria que ela tivesse sido mais espontânea e tivesse voltado para pegar a bandeira, seria um final FODA pra um show FODA.
- “Game over”. Todo mundo sabe que Madonna não dá bis, então ninguém pede. Mas toca “Holiday” e muita gente contina no lugar, batendo palmas e cantando a música :).
- E se você ficou babando agora… bem feito! Showzão, e quem não foi perdeu. Tente ir hoje ou nos de São Paulo. Se você ficou com vontade, garanto que não vai se arrepender
E para terminar, em homenagem à Deise, uma compilação de momentos do show de 1993 onde o violonista-cabeludo-sem-camisa aparece
Quando a gente pensa que já escutou tudo que é possível em música ruim, alguém vai e inventa algo novo: axé católico! Nada contra aqueles que querem celebrar sua crença com música, mas “pó pará cum pó” não dá!
Sem falar que o ritmo doido e a agitação devem dar mais vontade de consumir cocaína do que acalmar o coitado do viciado! :-p
Eu batizo esse novo lixo-pop-axé-católico de “Melô do Jonhy Estrela” :-p
Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais
Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais
Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal
Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central
Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais
Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais
Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal
Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central
Samba do Aproach com Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho. Maravilhoso!
Uma palinha da letra:
Venha provar do meu brunch / Saiba que eu tenho aproach / Na hora do Rush / Eu ando de Ferry Boat /
… Eu tenho Sexy Appeal / Saca só meu background / Veloz como Damon Hill / Tenaz como Fittipaldi /
Não dispenso happy end / Quero jogar no dream team / De dia macho man / E de noite drag queen…
Excuse me forgetting, but this things I do… You see I’ve forgotten if they’re green or they’re blue… Anyway the thing is, what I really mean: Yours are the sweetest eyes I’ve ever seen.
And you can tell everybody, that this is your song. It may be quite simple but, now that it’s done I hope you don’t mind that I put down in words how wonderfull life is while you’re in the world.
Dessa vez já com o espírito menos carregado… Eu ando muito musical ultimamente né? É pra ver se o ditado popular realmente funciona: “Quem canta, seus males espanta” :-p
Vai levando de Caetano Veloso e Chico Buarque em 1975
Mesmo com toda a fama / Com toda a brahma / Com toda a cama / Com toda a lama / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema / Todo o problema / Todo o sistema / Toda Ipanema / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito / Com a sala escura / Com um nó no peito / Com a cara dura / Não tem mais jeito / A gente não tem cura
Mesmo com o todavia / Com todo dia / Com todo ia / Todo não ia / A gente vai levando / A gente vai levando / Vai levando / Vai levando essa guia
A música de hoje vai por conta dos últimos acontecimentos no trabalho.
Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil
Pai, afasta de mim esse cálice / Pai, afasta de mim esse cálice / Pai, afasta de mim esse cálice / De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga / Tragar a dor, engolir a labuta / Mesmo calada a boca, resta o peito / Silêncio na cidade não se escuta / De que me vale ser filho da santa / Melhor seria ser filho da outra / Outra realidade menos morta / Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado / Se na calada da noite eu me dano / Quero lançar um grito desumano / Que é uma maneira de ser escutado / Esse silêncio todo me atordoa / Atordoado eu permaneço atento / Na arquibancada pra a qualquer momento / Ver emergir o monstro da lagoa
De muita gorda a porca já não anda / De muito usada a faca já não corta / Como é difícil, pai, abrir a porta / Essa palavra presa na garganta / Esse pileque homérico no mundo / De que adianta ter boa vontade / Mesmo calado o peito, resta a cuca / Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado / Quero inventar o meu próprio pecado / Quero morrer do meu próprio veneno / Quero perder de vez tua cabeça / Minha cabeça perder teu juízo / Quero cheirar fumaça de óleo diesel / Me embriagar até que alguém me esqueça
Essa vai em homenagem ao dia-a-dia de cão que eu tenho levado nos últimos tempos.
Meu caro amigo de Francis Hime e Chico Buarque - escrita em 1976
Meu caro amigo me perdoe, por favor / Se eu não lhe faço uma visita / Mas como agora apareceu um portador / Mando notícias nessa fita (ou nesse blog / Aqui na terra ‘tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock’n’ roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta… / Muita mutreta pra levar a situação / Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça / E a gente vai tomando, que também, sem a cachaça / Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar / Nem atirar suas saudades / Mas acontece que não posso me furtar / A lhe contar as novidades / Aqui na terra ‘tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock’n’ roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta… / É pirueta pra cavar o ganha-pão / Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro / E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro / Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar / Mas a tarifa não tem graça / Eu ando aflito pra fazer você ficar / A par de tudo que se passa / Aqui na terra ‘tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock’n’ roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta… / Muita careta pra engolir a transação / E a gente tá engolindo cada sapo no caminho / E a gente vai se amando que, também, sem um carinho / Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever / Mas o correio andou arisco / Se permitem, vou tentar lhe remeter / Notícias frescas nesse disco / Aqui na terra ‘tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock’n’ roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta… / A Marieta manda um beijo para os seus / Um beijo na família, na Cecília e nas crianças / O Francis aproveita pra também mandar lembranças / A todo pessoal / Adeus.
Se você pretende sustentar opinião / E discutir por discutir / Só pra ganhar a discussão /Eu lhe asseguro, pode crer / Que quando fala o coração / ás vezes é melhor perder / Do que ganhar / Você vai ver.
Já percebi a confusão / Você quer ver prevalecer / A opinião sobre a razão / Não pode ser, não pode ser / Pra que trocar o sim por não / Se o resultado é solidão / Em vez de amor / Uma saudade / Vai dizer quem tem razão
Não dá pé / não tem pé nem cabeça / Não tem ninguém que mereça / Não tem coração que esqueça / Não tem jeito mesmo / Não tem dó no peito / Não tem talvez / Ter feito o que você me fez / Desapareça / Cresça e desapareça
Não tem dó no peito / Não tem jeito / Não tem coração que esqueça / N?o tem ninguém que mereça / Não tem pé não tem cabeça / Não dá pé / Não é direito / Não foi nada / Eu não fiz nada disso / E você fez um bicho de 7 cabeças / Bicho de 7 cabeças ….
Esta música (letra de Renato Rocha) tem uma história curiosa. Zé Ramalho - co-compositor da melodia junto com Geraldo Azevedo - odeia essa letra. Eles fizeram a melodia juntos, se dedicaram muito a esse trabalho e no final o compositor paraibano se apaixonou pelo resultado. Mas quando ouviu a versão com letra comentou: “É, realmente, não tem pé, não tem cabeça!”
Tem uma matéria sobre essa “picuinha” da MPB aqui.
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu. Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim? O resto é seu… Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar, as sombras de tudo que fomos nós. As marcas de amor nos nossos lençóis, as nossas melhores lembranças…
Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer. Aquela aliança, você pode empenhar ou derreter. Mas devo dizer que não vou lhe dar o enorme prazer de me ver chorar nem vou lhe cobrar pelo seu estrago. Meu peito tão dilacerado… aliás, aceite uma ajuda do seu futuro amor pro aluguel. Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.
Eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade e a leve impressão de que já vou tarde.
Esta canção é uma gracinha. Feita para ser cantada em dupla, conta o dilema de uma “moça de família” dividida entre a tentação de passar uma noite de inverno com o namorado e manter sua “reputação”. Tem uma versão muito boa com o Ray Charles e a Betty Carter. Foi a primeira versão que eu ouvi. Mas tem esta versão em MP3, com Ella Fitzgerald e Sarah Sarah Vaughan que também é excelente.
Baby, it’s cold outside
I really can’t stay / (Baby, it’s cold outside) / I’ve got to go ‘way / (Baby, it’s cold outside) / The evening has been, so very nice /(I hold your hands, there just like ice)
My mother will start to worry / and father will be pacin’ the floor / So really I’d better scurry / well maybe just a half a drink more
The neighbours might think / (Baby, it’s bad out there) / Say, what’s in this drink / (No caps to be had out there) /I wish I knew how, to break the spell
I ought to say, no, no, no sir / at least I’m gonna say that I tried / I really can’t stay, outthere it’s cold outside
I simply must go / (Baby, it’s cold outside) / The answer is no / (Uhh, Baby, it’s cold outside) / The welcome has been, so nice and warm / (Look out the window at that storm)
My sister will be suspicious / (Gosh, your lips look delicious) / My brother will be there at the door / My maiden aunt’s mind is vicious / well mabe just a half a drink more
I’ve got to get home / (Baby, you’ll freeze outthere) / Say lend me a comb / (It’s up to your knees outthere) / You’ve really been grand, but don’t you see / (How can you do this thing to me)
There’s bound to be talk tomorrow / at least there will be plenty implied / (and if you catch pneumonia and die?) / I really can’t stay, outthere it’s cold outside / Baby, it’s cold outside
I can’t stand to fly / I’m not that naive / I’m just out to find / The better part of me / I’m more than a bird?I’m more than a plane / More than some pretty face beside a train / It’s not easy to be me
Wish that I could cry / Fall upon my knees / Find a way to lie / About a home I’ll never see
It may sound absurd?but don’t be naive / Even Heroes have the right to bleed / I may be disturbed?but won’t you conceed / Even Heroes have the right to dream / It’s not easy to be me
Up, up and away?away from me / It’s all right?You can all sleep sound tonight / I’m not crazy?or anything? / I can’t stand to fly / I’m not that naive / Men weren’t meant to ride / With clouds between their knees
I’m only a man in a silly red sheet / Digging for kryptonite on this one way street / Only a man in a funny red sheet / Looking for special things inside of me
Olha quem está falando!