Se ter saudade é ter algum defeito, eu pelo menos mereço o direito de ter alguém com quem eu possa me confessar.

Buenos Aires - Dia cinco: Andale, andale!

Posted: October 24th, 2008 | Author: Dani Lima | Filed under: BuenosAires, Férias |

Depois de um dia chuvoso na terça-feira, acordamos para um lindo dia azul hoje. O que foi ótimo já que tinhamos programado o Zoológico e Bosques de Palermo para a parte da manhã. Tomamos café no hotel mesmo, pegamos um táxi e fomos para o Zoológico.

Entrando no zoológico já vimos algo completamente novo para nós: um urso polar! :) O zoológico de Buenos Aires, é grande, bonito e tem diversos bichos “diferentes”. Vimos cangurus, pinguins, “el panda rojo” (originário da china, sei lá como se chama em português), dromedários, wallabees (parente do canguru, também não sei o nome em português). Também visitamos as estrelas de “Madagascar” - os lêmures, mas eles não cantaram “I like to move it!” :p.  E também um coadjuvante de “Rei Leão” - um suricato. E falando em Rei Leão, o zoológico tem diversos grande felinos. Um casal de leões, um tigre branco e outro normal, uma onça, duas panteras… Não precisa nem dizer que eu adorei. Grandes felinos são os meus favoritos.

E depois de andar, andar e andar pelo zoologico praticamente toda a manhã, nos sentamos rapidamente para comer um lanche no fast food do zoologico para andar mais, até o Jardim Japonês.

A esta altura já estavamos um pouco cansados de andar, creio que já tinhamos andado uns 4 ou 5 kilômetros dentro do zoológico. Mas parar não era uma opção! Descansamos no Brasil! E então fomos nós andando, mais uns 2 kilômetros até o Jardim Japonês.

O Jardim Japonês é muito bonito, fazia jus ao início de tarde ensolarado. Aproveitamos para descansar um pouco, sentando nos bancos espalhados pelo lugar e admirando a vista.

Depois do Jardim Japonês, andamos até o planetário. A construção é interessante e fica num lugar amplo e aberto. Pena que não pudemos entrar por que naquele dia havia um evendo de design de interiores. No final conheçemos só o exterior do prédio. Também não demos sorte com o Rosedal, andamos até lá só para descobrir que ele está fechado para reformas. Mas não faz mal, esta parte de Palermo é muito bonita e aproveitamos nossa caminhada.

Eu tinha programado ir ao Museu da Evita, mas à 3 horas da tarde, já tinhamos andando tanto que desisti. Então fomos direto ao MALBA, andando também é claro. Chegando lá demos uma pausa no café do museu para descansar um pouco. Tomei um submarino. Aqui a barrinha de chocolate do submarino é no formato de um… submarino! Que criativo! :-p Bom, depois de descansar um pouco as pernas fomos conhecer o Museu.

O MALBA tem uma das melhores (senão a melhor) coleção de arte latino-americana do mundo. Tem quadros de Tarsila do Amaral (o Ibirapuru está lá), Candido Portinari, Frida Kalo (o famoso auto-retrato), Di Cavalcanti, Helio Oiticica… Realmente é uma visita imperdível se você estiver em Buenos Aires. Se você conseguir pegar uma visita guiada, melhor ainda. Nós pegamos só o finalzinho, mas já foi bem legal.

Mas por mais interessante que seja o acervo do museu, o que eu mais gostei foi a exposição temporária: “Algún Lugar / Ningúm Lugar - de Félix González-Torres”. Isso por que conseguimos pegar a visita guiada desta exposição desde o começo. E Felix Gonzáles (assim aprendi) é um dos artistas modernos mais influentes da sua geração. Mas na minha opinião, o que o torna mais interessante, é que ele realmente conseguiu trabalhar com o conceito da arte moderna de fazer as pessoas se questionarem sem chocar ou ofender. Suas obras, apesar de serem todas dos anos 80 e 90 (ele morreu jovem, de AIDS em 1996), continuam impactantes até hoje. Quase todas que estavam na exposição permitiam interação do expectador (tipo pegar um caramelo de uma pilha, ou um pirulito, ou uma impressão) ou/e usavam um espaço diferente do Museu (coisa que eu adorei) e este tipo de coisa simplesmente faz com que o comportamento do observador reflita os valores da sociedade atual. Como as diversas pessoas que passavam e levavam diversos caremelos, só por levar. Nem davam muita atenção á obra. Mas a sua obra mais tocante é provavelmente sua obra mais simples também. São dois relógios redondos de cozinha, desses que você compraria em qualquer lugar, um colocado ao lado do outro, tangentes e sincronizados. O nome da obra explica: “perfect lovers”. Mas como todas as obras do artista, esta também é modificada por agentes externos - neste caso as pilhas dos relógios que, conforme vão terminando, vão deixando os relógios mais lentos e portanto não-sincronizados. Quando a pilha de um dos relógios acaba, é só trocar. Mas esta não é a metáfora mais simples e poética que você já viu para um relacionamento?

Bom, depois deste banho de cultura, demos uma passadinha num Shopping que tinha perto do Museu, demos uma volta, catamos um Itaú para sacar algum dinheiro e fomos jantar na casa da Tia Ida.

E depois de andar tanto, o dia inteiro, estavamos absolutamente cansados! E um jantar caseiro, de carne e vinho argentino foi um final perfeito para o dia. Chegamos ao hotel quase meia-noite, praticamente dormindo já, caímos na cama e desmaiamos! Bom, pelo menos eu desmaiei.. :)



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