Faz algum tempo eu quero escrever aqui minhas histórias com meus animais de estimação: 1 dálmata, 3 gatos sendo 1 siamês macho e duas fêmeas SRD (que é a definição bonitinha para vira-lata). Tenho várias histórias do Spot, da Sol, do Figo e até algumas da Xabi, que é a mais tímida de todos os quatro. Mas eu sempre acabava adiando escrever sobre isso, por falta de tempo ou inspiração ou os dois. Mas depois dos acontecimentos de hoje na hora do almoço, resolvi finalmente começar. Então para a primeira história da série “Das aventuras de ter animais de estimação” eu apresento:

Figo - o exímio caçador de galinhas
Eu decididamente não gosto de galinha. Não estou falando da carne, mas do bicho mesmo. São esquisitas, barulhentas, sujas e meio burras. Ou totalmente burras. Posso até estar errada, mas uma galinha em especial eu posso provar que é burra: a galinha que resolveu chocar do lado do meu portão.
O Figo, meu dálmata, é um caçador. Como provavelmente a maioria dos cachorros. Mas ele tem uma fascinação especial por galinhas. Sempre que tem uma oportunidade, lá está ele correndo atrás das galinhas do vizinho (e propriétário da nossa casa). E eu correndo atrás. Sim, só por que eu não gosto de galinhas mas não vou deixar o meu cachorro - que tem comida de sobra em casa - torturar as bichinhas até a morte.
E é por isso que eu digo que posso provar que esta galinha em especial é muito burra. Ela ficava chocando aqui do lado e o Figo babando no portão. Era só uma questão de tempo para que um dia, quando alguém abrisse o portão, ele desse um jeito de fugir e ir atrás da galinha burra.
E foi isso que aconteceu hoje. Normalmente o Figo obedece quando digo pra ele ficar e não sair correndo enquanto estou entrando em casa. Mas hoje, com a tentação da galinha ali do lado, foi demais para ele. Os instintos caçadores falaram mais alto. E lá foi o cachorro, correndo pelo portão rua afora. E quando o cachorro sai correndo pelo portão, é quase impossível de pegá-lo. O bicho é rápido e parece feito de sabão. E ele já sabia exatamente onde estava a galinha burra e foi direto pra lá. Pronto, começou a bagunça.
O Figo corria, a galinha voava, eu gritava “Figo!”, “Figo!” e nada. O Figo é adestrado e até obediente. Mas eu não consegui adestrá-lo tão bem a ponto dele conseguir ignorar seus instintos básicos, parar de perseguir a galinha e voltar bonitinho com ares de “sim, mamãe”. E no meio dessa bagunça, a galinha saiu voando pelo valão e para dentro do quintal da vizinha da frente. E o Figo foi atrás é claro. E então que começou meu problema de verdade.
A vizinha da frente sumiu, mudou, eu sei lá. Desde que a amante do marido dela apareceu por aqui fazendo escândalo, não vejo mais ela (sim, eu moro na versão tupiniquim-capixaba de Melrose Place). E o marido deve ter ido morar com a amante por que a casa está vazia e tudo está trancado.
Neste momento, acho interessante resumir minha situação: são 13hs de uma segunda-feira, eu não dormi bem, estou voltando o meu almoço e meu cachorro foge para perseguir uma galinha que pertence ao proprietário da casa que eu alugo. Na perseguição a galinha e o cachorro vão parar no quintal da vizinha traída, que foi embora e deixou toda a casa trancada. Eu não tenho como entrar.
O Figo já estava lá todo feliz e concentrado roendo as pernas da pobre galinha que, coitada, continuava viva. Eu estou parecendo um leão enjaulado andando de um lado pro outro no portão da vizinha sem saber o que fazer. E a Sol e o Spot estão assistindo do meu portão querendo entender por que eu não deixo aquele cachorro chato na vizinha de uma vez.
O acesso para o quintal da vizinha era pelo valão. Ou pulando o muro. Eu até coloquei minhas botas de tracking impermeáveis para tentar ir pelo valão, mas foi quando eu descobri que amor por bicho tem limite. E o limite é me enfiar num valão nojento cheirando a esgoto. A opção foi pular o muro então. Até aí fácil. Difícil foi dar um jeito de tirar o Figo de lá.
Obviamente os únicos acessos de saída também eram o valão e pulando o muro. O valão já estava descartado. E pular o muro segurando um Figo revoltado querendo comer uma galinha não parecia muito sensato. Num momento de insanidade pensei em jogar ele por cima do muro e depois levá-lo ao veterinário para engessar as quatro patas. Sorte do Figo que logo depois me ocorreu uma idéia muito melhor…
Pular o muro com o Figo era impossível, mas com a galinha, nem tanto. E se eu levasse a galinha pra fora, ele viria atrás. Então lá fui eu, com um pano (você não acha que eu ia pegar essa galinha nojenta e agora moribunda com minhas mãozinhas macias né?), embrulhei a galinha e voltei para pular o muro. O Figo ficou doido. Procurava a galinha em tudo que é canto. Até que finalmente ele viu a galinha do lado de fora comigo e saiu do quintal da vizinha (que se um dia voltar pra casa não vai entender aquelas penas espalhadas na grama dela).
Com mais alguns truques, consegui salvar a galinha e colocar o Figo para dentro de casa. E agora era hora de devolver a galinha, toda machucada, para o dono, o Seu Antônio. Com muito tato, eu expliquei que a galinha dele tem ficado do lado do meu portão e que meu cachorro, apesar de todos os meus cuidados, conseguiu escapar e abocanhar a bicha. Bom, pelo menos ele concordou comigo que aquela era uma galinha muito burra de ficar chocando ali do lado do meu portão. Seu Antônio levou a bicha para dentro e parece que a galinha burra vai sobreviver para contar (ou cacarejar) sua experiência de quase-morte.

February 25th, 2008 at 10:58 pm
haha!loooooooooonga e engraçada!
fiquei feliz que a galinha foi salva!
como vc não me conta essa história da amante do vizinho???
e até que enfim você achou um limite
beijos!!
February 26th, 2008 at 1:52 pm
É… mas se a minha única opção fosse o tal do valão, tenho certeza que eu tinha encontrado um jeito de atravessá-lo…
March 19th, 2008 at 12:37 pm
[…] falei da aventura do Figo Caçador de Galinhas. Agora está na hora de começar a contar as aventuras dos meus gatos. Sim, por que além do […]