Se ter saudade é ter algum defeito, eu pelo menos mereço o direito de ter alguém com quem eu possa me confessar.

Resgate da Inocência [25.06 - quarta]

Posted: June 25th, 2003 | Author: Dani Lima | Filed under: Ah! O Rio..., Férias |

O carioca anda sendo bombardeado pela mídia pelas notícias de violência. Todo este estardalhaço imprimiu no carioca um medo muito grande de curtir a própria cidade e lhe roubou a inocência necessária para admirar as pequenas (e grandes) belezas do antigo estado da Guanabara. Não estou dizendo que o Rio esteja tranquilo, mas até agora - tomando todos os cuidados que sempre se deve tomar numa cidade grande - minhas experiência de turista no Rio tem sido bastante positiva.

O Museu Internacional de Arte Naif fica em Laranjeiras, ao lado do Corcovado, e é um ótimo lugar para voltar a ver o Rio sob outra perspectiva. Para quem nunca ouviu falar em Arte Naif aí vai uma explicação roubada (sem nenhuma má intenção :-) do site do Museu:
- O adjetivo naif é o mais empregado para o gênero de pintura chamado também de ingênuo e ás vezes primitiva (no Brasil). Os artistas naifs, em geral, são autodidatas e sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência e por isso mesmo podem pintar sem regras, nem constrangimentos. Podem ousar tudo. São chamados de “poetas anarquistas do pincel”.

O Museu não é muito grande mas guarda um acervo super interessante que inclui o maior quadro de arte naif já pintado que é intutilado: “Rio de Janeiro gosto de você, gosto desta gente feliz”. Lia Mittarakis retratou no enorme painel de 4m x 7m muito do espírito carioca e da beleza do Rio. No centro da tela o Cristo abre os braços para mostrar a beleza dos quatro cantos de nossa cidade. Lia Mittarakis caprichou nos detalhes e dá para ficar pelo menos uns 15 minutos na frente do quadro descobrindo novos lugares na pintura. E nestes 15 minutos dá para lembrar muito bem porque a gente gosta tanto de morar aqui.

Depois de ver o Rio representado em tintas e pinceladas, fui dar uma conferida no modelo original. Nada como subir de trenzinho até o Corcovado num fresco final de tarde para terminar bem o dia. O ar da floresta e os relances da vista do Rio por entre as brechas da mata deram um sabor especial ao passeio. O Corcovado continua lindo (assim como o Rio :-) e as obras feitas para incluir elevadores e escadas rolantes ficaram ótimas. A vista é de tirar o fôlego, mesmo sem muita nitidez por causa da inversão térmica. Fiquei bastante tempo andando por lá observando o Rio de vários ângulos e fotografando o Cristo (claro). Desci no trenzinho das 6 horas. Já estava escuro e o motorista (ou será maquinista?) do trenzinho teve a ótima idéia de apagar todas as luzes e parar ao lado de uma clareira de onde pudemos apreciar a vista da Lagoa toda iluminada fechando com chave de ouro o passeio turístico.



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